O Cortiço

de Aluísio Azevedo
Editor: Eucleia Editora, outubro de 2010 ‧
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Aluísio Azevedo nasceu a 14 de abril de 1857 e morreu em 21 de janeiro de 1913. O seu romance O Mulato é tido como um ponto de viragem na estética literária brasileira, fugindo dos cânones românticos e inaugurando o naturalismo que mais evidente se tornaria em obras como Casa de pensão e O Cortiço. Neste romance, um clássico da literatura brasileira, através de uma linguagem que conjuga a erudição com um registo coloquial, é feito um retrato da sociedade brasileira oitocentista, de uma forma jocosa e muito controversa para as mentalidades de então.

«Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer. Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este mesmo facto de obrigação em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido. Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela.»

O Cortiço

de Aluísio Azevedo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898443014
Editor: Eucleia Editora
Data de Lançamento: outubro de 2010
Idioma: Português
Dimensões: 146 x 210 x 26 mm
Páginas: 204
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898443014

Muito bom

PH

Fazendo parte da corrente naturalista, este livro é voltado para as "forças naturais do ser humano", os temas são focados para análises comportamentais do homem. Considero de leitura fundamental para entender um pouco melhor como funcionava o Brasil no final do século XIX. O livro é tão bom e elucidativo do ponto de vista social, que, mesmo repleto de dezenas de personagens, o principal é o próprio cenário, no caso o próprio cortiço, onde todos os personagens vivem, se encontram e se desencontram, onde passam as suas tristezas e alegrias. Recomendo vivamente.

Esmagador

Fábio Lopes Ferreira

Uma obra magnífica e de uma realidade crua, onde o sentimento humano é desvalido e comprado pela ilusão do poder e do prestígio. O meio faz o Homem, e o cega quer no meio da pobreza, quer no meio da ambição. Excelente recomendação de um período de mudanças política, social e cultural.

De leitura obrigatória

Carlos Oliveira

Sem qualquer dúvida uma das maiores obras do romance naturalista. Um retrato emicionante da exploração humana e da condição dos habitantantes desvalidos dos cortiços do Rio de Janeiro onde, como enxames, tentavam sobreviver. ´ É igualmente, em contraposição, um olhar sobre a ganância e a ascensão social dos que enriquecem à custa da população miserável.

SOBRE O AUTOR

Aluísio Azevedo

Aluísio Tancredo Gonçalves Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 14 de abril de 1857, filho do português David Gonçalves de Azevedo e de Emília Amália Pinto de Magalhães. Era o segundo filho do casal, nascendo depois do mais velho, Artur Azevedo, e antes de Américo Azevedo. Aluísio Azevedo fez seus primeiros estudos de pintura com o professor italiano Domingos Tribuzzi na cidade natal. Alimentava o sonho de prosseguir a formação na Academia Imperial de Belas Artes, para tornar-se pintor profissional. Em 1876 mudou-se para o Rio de Janeiro, a fim de frequentar o curso preparatório, mas viu esse sonho frustrado por falta de recursos financeiros. Passou a trabalhar na redação de periódicos humorísticos, tais como O Fígaro (1876), Mequetrefe (1877) e Comédia Popular (1878) para os quais realizou várias caricaturas. A morte do pai, em 1878, obrigou o jovem Aluísio a retornar para o lado da mãe, em São Luís do Maranhão. Permaneceu na província por três anos, participando da imprensa local. Lançou a folha O Pensador, de tendência nitidamente oposicionista, na qual fez fervorosa campanha anticlerical e redigiu matérias a favor da abolição da escravatura. Sua estreia como romancista ocorreu nessa fase ao escrever o livro Uma lágrima de Mulher (1879), a que se seguiu o lançamento de O Mulato (1880), cuja repercussão na cidade o conduziu de volta à corte, em 1881. Estando novamente no Rio de Janeiro, procurou ganhar a vida como escritor profissional. Redigiu contos, crônicas, peças de teatro e romances que divulgou em forma de folhetins nos órgãos da imprensa. Apesar da fertilidade criativa, a veia do romancista ganhou força para alçar voos mais elevados a partir dos bons resultados que os livros Casa de Pensão (1884), O Homem (1887) e, sobretudo, O Cortiço (1890) obtiveram ao enfrentarem debates importantes da vida social brasileira daquela época.

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