Mapa Múndi

As viagens imaginárias na história da Europa

de Clara Pinto Correia
Editor: Casa das Letras, dezembro de 2006 ‧

Dizia-se que, algures no Oriente misterioso, no topo do mundo, como mandavam as convenções dos mapas da época, estaria o Paraíso na Terra. Dizia-se que, no Norte gelado, longe de tudo, se erguia uma enorme muralha de ferro. Dizia-se que existia, algures na Índia desconhecida, um Papa-Imperador cristão. Dizia-se que, na Mongólia longínqua, o Grande Khan estava prestes a converter-se ao cristianismo. E dizia-se que, quanto mais longe se fosse, mais estranhas seriam as raças humanas, animais e vegetais que o viajante ousado encontraria no caminho.
E partiram, em demanda do que então se dizia, inúmeros espíritos inquietos que voltavam com histórias de lugares inimagináveis, de licornes, de serpentes, de pessoas com cabeça de cão, de árvores de onde nasciam pássaros, de formigas do tamanho de mastins e de lugares cheios de florestas densas e perigosas. E os leitores devoravam e aplaudiam toda esta estranheza. Assim se evidenciava inequivocamente o apetite intrínseco da nossa cultura por tudo o que seja sonho de viagem.
As viagens imaginárias continuam a existir. Hoje, no geral, chamamos-lhes ficção científica. Enquanto esta área prolifera, outros autores, com Umberto Eco, viram-se para o passado e redescobrem ilhas com poderes mágicos, viagens a pé pelos confins do mundo, ou mesmo uma autêntica visita à corte do Preste João. A arca dos tesouros das grandes viagens imaginárias ainda está, pois, muito longe de esgotar o seu potencial riquíssimo, como podemos subentender ao ler este livro em tudo fascinante.

«Estrangeiro, não aflijas o meu pai, não aflijas a minha mãe, não me aflijas a mim. Honra-me na cabana e entre os meus; eleva-me ao nível das minhas irmãs que se riem de mim. Estrangeiro, honesto estrangeiro, não me recuses; faz-me mãe; faz-me um filho que eu possa um dia passear pela mão, no Otaiti que vejam daqui a nove meses agarrado ao meu seio, de quem tenha orgulho. Terei talvez mais sorte contigo do que com os meus jovens otaitianos. Se me fizeres esse favor, nunca te esquecerei; abençoar-te-ei toda a minha vida; e quando tu deixares esta costa, as minhas preces hão-de acompanhar-te sempre sobre os mares até teres chegado ao teu país.»

Mapa Múndi

As viagens imaginárias na história da Europa

de Clara Pinto Correia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789724616957
Editor: Casa das Letras
Data de Lançamento: dezembro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 233 x 159 x 26 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História em Geral
EAN: 9789724616957

SOBRE O AUTOR

Clara Pinto Correia

Clara Pinto Correia (Lisboa, 30 de janeiro de 1960 — Estremoz, 9 de dezembro de 2025) foi ficcionista, cronista, divulgadora científica e bióloga portuguesa. Figura sui generis do panorama da literatura portuguesa, quer pelo seu estilo de escrita, quer pelas áreas da sua produção ou ainda pelo ritmo de publicação que a autora manteve.
Depois de se ter licenciado em Biologia pela Universidade de Lisboa, doutorou-se pela Universidade do Porto, prosseguindo uma carreira universitária e de investigação no domínio da Embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e nos Estados Unidos da América (Buffalo e Universidade de Harvard).
A sua estreia literária dá-se em 1984, com o romance Agrião, mas a sua popularidade atinge-a com o romance Adeus Princesa, sucesso editorial, transposto para o cinema. A consagração máxima dá-se depois da publicação do folhetim E se tivesse a bondade de me dizer porquê? em coautoria com Mário de Carvalho, numa obra em que os dois escritores são responsáveis por capítulos que se intercalam, sem nunca se encontrarem.
Poder-se-á chamar a Clara Pinto Correia a autora pós-moderna por excelência, constando da sua bibliografia desde inquéritos de cariz sociológico a uma fotonovela, passando por literatura infantil, crónica, poesia, narrativa, e divulgação científica.
Destacam-se na sua obra, para além dos já citados, na ficção: Ponto Pé de Flor e Mais que Perfeito; na literatura infantil: Quem Tem Medo Compra um Cão, A Minha Alma Está Parva e A Ilha dos Pássaros Doidos; na divulgação científica: Os Bebés-Proveta, Clonai e Multiplicai-vos e O Ovário de Eva.

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