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Jardim das Amoreiras

Vinte e cinco poemas para vinte e cinco estudos anatómicos de Vieira da Silva

de João Miguel Fernandes Jorge

editor: Relógio D'Água, abril de 2003
Depois de "Museu das Janelas Verdes", João Miguel Fernandes Jorge publica "Jardim das Amoreiras", que tem por subtítulo "Vinte e Cinco Poemas para Vinte e Cinco Estudos Anatómicos de Vieira da Silva". É uma relação forte e de longa data, a dos seus textos com a pintura (não só na poesia, como nos vários livros que JMFJ publicou com textos sobre arte). Em "Jardim das Amoreiras", Fernandes Jorge parte dos desenhos de Vieira da Silva (reproduzidos no livro em fac-símile) e procura/imagina vestígios, cria enredos, vozes (ora "dando a palavra à artista", "ao modelo", etc.), personagens, momentos.

"Reconhecemos aqui toda a capacidade de João M. F. Jorge de criar personagens, de se declinar noutras vozes, de transformar o fragmento em alegoria de uma totalidade e suspendê-lo num momento fulgurante."
António Guerreiro, Expresso, Actual

"Mas há ainda uma outra dimensão importante nesta colectânea: os evidentes paralelos entre o desenho e a poesia. Não se trata somente da conhecida afinidade entre artes plásticas e arte poética, mas também o modo como estes esboços e desenhos se deixam fascinar pela realidade física mas tendem sempre para a transfiguração. Primeiro, são registados: "Poderoso torso tomado na sua face lateral / nenhuma coisa se compara / quando, por inteiro, nos pertence / e o repovoamos de desenhados seres / vindos de um tempo / território de invisíveis criaturas (...) (pág. 54). O desenho torna-se assim uma forma de aprendizagem técnica e moral. E do desenho solta-se uma pluralidade de sentidos da qual participa a própria poesia. E há ainda o modo como a realidade exterior pode entrar e sair da obra, segundo o biografismo ora intenso, ora ficcional, ora boicotado que JMFJ sempre praticou.
"Vivos em trânsito, mortos futuros, somos todos então personagens do grande teatro anatómico: "(...) pode a minha morte partilhar a / tua morte, descobrir recíproco sentido / pode o livro velho de desenho / abrir o teu braço e calar o adeus de um morto a outro morto" (pág. 32)."
Pedro Mexia, Diário de Notícias

Jardim das Amoreiras

Vinte e cinco poemas para vinte e cinco estudos anatómicos de Vieira da Silva

de João Miguel Fernandes Jorge

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727087501
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: abril de 2003
Idioma: Português
Dimensões: 138 x 208 x 5 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 76
Tipo de produto: Livro
Classificação temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789727087501
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável
João Miguel Fernandes Jorge

1943, Bombarral. Poeta, prosador e crítico artístico, licenciado em Filosofia, desenvolveu também a atividade docente. Estreia-se na poesia com o volume Sob Sobre Voz, onde joga, de forma inquietante, com a não referencialidade de uma palavra que se situa na contiguidade com o indizível. Ou seja, nas palavras de Joaquim Manuel Magalhães, a perturbação gerada na leitura da sua poesia decorre da nossa formação ocidental, pela qual se torna "difícil de abdicar de um real para o qual as palavras não apontem" ("alguns descobriram que dizer barco não é arrastar à palavra um barco ou dizer aos outros que um barco está ali, mas revelar um local onde um barco não está, onde a memória dele se tornou uma música de fonemas em que desaparece o barco e o homem descobre a solidão que é dizer barco sem um barco ser. Este trabalho silencioso de captação da ausência percorre a obra de João Miguel Fernandes Jorge." (cf. MAGALHÃES, Joaquim Manuel - Os Dois Crepúsculos, Lisboa, A Regra do Jogo, 1981, pp. 224-225), ou, nas palavras do próprio autor: "O que me faz escrever este poema/não são as coisas: terra céu astros./A saber: estendo a mão: e/o mundo reconhece-a encontra a/memória onde repousa e se transforma./... Não sonho palavra sonho barco." ("Para outro texto", in Vinte e Nove Poemas, Lisboa, 1978). Confirmadas nos volumes que integram a sua Obra Poética, estas linhas de leitura remetem, segundo Fernando Guimarães, para um processo de "microrrealismo", pelo qual a "linguagem tende a testemunhar a evidência do conhecimento", ao mesmo tempo que as imagens ou metáforas se constituem como "núcleos de natureza conceptual": "João Miguel Fernandes Jorge parece fazer apelo à possibilidade de a linguagem se afastar de dois caminhos, o da metáfora e o da imagem, em que a poesia moderna tanto se fixou desde os finais do séc. XIX, privilegiando, antes, os caracteres apagadamente distintivos dos "sinais" ou, se se quiser, dos signos (...)", o poema fragmentando-se "através de múltiplas reminiscências, de uma linguagem desfocada, de uma disponibilidade subjetiva nem sempre previsível, de uma visão fluida da realidade e da natureza, de uma dispersão de significados às vezes percorridos por referências culturais ou de índole meramente circunstancial que, apesar de um descritivismo a que não raro se mantém fiel, se tornam dificilmente reconhecíveis. (...) A linguagem torna-se dispersiva, residual, e a consciência de que ela é inquestionável ou opaca a um possível significado" (GUIMARÃES, Fernando - A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, pp. 113-114). A publicação de Crónica, em 1977, inaugura na sua bibliografia uma outra estratégia discursiva, que parte da colagem de textos e motivos históricos com acontecimentos reais e míticos e com conteúdos subjetivos.

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