Guardados 003
SINOPSE
Um guardado pode ser uma fotografia de um acontecimento mais ou menos especial, mais ou menos banal, uma fotografia nossa ou de outrem. De um agente activo na nossa história ou de um desconhecido, ou de um grupo de desconhecidos, ou de um grupo de desconhecidos à volta de um conhecido. Pode ser aquela tesoura da poda que nunca falhou, aquele colar que nos definia, aquele apontamento de coisa importante ou daquela vez em que nos saiu um verso ou uma estrofe. Pode ser um recorte escurecido de uma revista ou jornal entretanto desaparecidos. Pode ser um equipamento tecnológico de ponta, entretanto obsoleto.
Pode ser grande, não tem de ser pequeno (haja espaço para guardar o guardado). Pode ser uma escada de azeitona na qual os nossos pais e avós subiram e desceram milhares de vezes. Pode, até, ser um “guardado” de gerações… um que nunca experimentámos e que não experimentaremos porque não queremos correr o risco.
Com estes guardado podemos contar uma história… a dele, do seu dono ou dona. Ou outra história qualquer, aquela que nos vier à cabeça quando o vemos, tocamos, cheiramos… quando imaginamos, condicionados, como sempre somos, pelo que sabemos ou ignoramos. Estes são os guardado sobre os quais quero contar histórias.
EXCERTOS
«Este, como todos os objectos que não são inteiramente conscientes mas que, pela frequência do uso e pela proximidade com o corpo humano, vão adquirindo uma espécie de memória que não é bem memória e uma espécie de pensamento que não chega a ser pensamento, mas que em certas circunstâncias pode confundir-se com ele, este, dizia, foi construído por um homem que não sabia que estava a construir o vazio, mas apenas a entrelaçar vergas de castanho segundo a técnica que lhe ensinara o pai e que o pai aprendera com um homem de fora, vindo sabe-se lá de onde, talvez do lado de lá do rio ou de mais longe ainda, um desses homens que aparecem nas aldeias como se tivessem vindo do fundo da terra e desaparecem da mesma maneira, deixando atrás de si uma receita de pão, uma superstição e um gesto com as mãos que, quando repetido com a devida paciência, resulta num objecto capaz de conter outras coisas, como legumes, galinhas mortas, mantas dobradas ou mesmo, numa emergência que não chegou a ser relatada mas que aconteceu, um animal recém-nascido embrulhado em panos, não para ser salvo nem para ser escondido, mas porque havia pressa e mais ninguém tinha braços.»
Excerto do Conto do Vazio (Filipe Faria)
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789893632215 |
| Editor: | Arte das Musas |
| Data de Lançamento: | julho de 2025 |
| Idioma: | Português, Inglês |
| Dimensões: | 165 x 205 x 10 mm |
| Encadernação: | Capa dura |
| Páginas: | 60 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Guardados |
| Classificação Temática: |
Livros em Inglês
>
Arte
>
Fotografia
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| EAN: | 9789893632215 |