Gente Remota

de Francisco Sousa Lobo
Editor: Chili com Carne, Janeiro de 2022 ‧
Gente Remota é um livro ficcional que nasceu de quatro longas entrevistas com ex-combatentes anónimos das chamadas guerras de África, conversas que tive em 2014. Não há nada inventado, no que corresponde às experiências de Guerra de Alfredo Jacinto, não teria capacidade para tal. Nem o crime da PIDE, nem a acção salvífica e presença de espírito de Alfredo ao salvar um soldado do colapso moral, nada foi inventado. Limitei-me a baralhar os dados.
Esta é uma pequena história de Portugal, esse país sem problemas de consciência, com uma memória selectiva, ao mesmo tempo sincera e senil.

É uma história de cruzamento de ideias, de confrontos de perspectivas. Eu não estou em lado nenhum, neste livro. Ou então estou em todo o lado.

A questão do racismo é sempre um poço sem fundo. Incómoda, urgente, com ramificações que tocam a todos, profundamente. A minha relação com o nosso passado colonial é múltipla. Eu próprio nasci em Moçambique, rodeado de empregados e privilégio colonial.

Depois veio logo o 25 de Abril, essa tábua rasa a um tempo gloriosa, mas que nos oculta a história e nos iliba de qualquer culpa. Depois veio a primária em que aprendemos a hostilidade contra os espanhóis, e depois o liceu em que nos forçaram os Lusíadas pela goela abaixo. Este livro é talvez o paté resultante.

A esperança é que sofre.

Gente Remota

de Francisco Sousa Lobo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898363480
Editor: Chili com Carne
Data de Lançamento: Janeiro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 164 x 230 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 100
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Banda Desenhada > Novela Gráfica
EAN: 9789898363480

Guerra colonial em BD

António Afonso

Uma das mais recentes obras de um dos mais originais criadores portugueses de BD, tem na sua génese as entrevistas feitas pelo autor a quatro ex-combatentes anónimos do ultramar e é fruto das narrativas feitas pelos mesmos. A base é real, mas acaba por se deslocar para um lado ficcional, fruto da estratégia intencional do autor em baralhar os factos. É uma narrativa feita de dor, culpa, ódios, racismo, sobre um passado colonial, não muito distante. Esta obra foi realizada com o apoio do Ministério da Cultura de Portugal, através de uma bolsa de criação literária da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

O (re)contar de experiências

João R. Marques

Gostei do modo como o autor aborda temas sensíveis como a guerra, a PIDE, racismo e colonialismo. O estilo de narrativa gráfica de Sousa Lobo mantém-se com o seu cunho muito pessoal. Um (re)contar de histórias de um Portugal que é de todos nós, com pouca memória coletiva e muito seletiva.

extremos, extremos e mais extremos.

Nuno Leão

O que mais impressiona netse livro é o ritmo da história e a forma como nos mostra as personalidades de cada um no argumento com quadros cómicos no meio de uma história tudo menos cómica. É um livro sobre meios termos num país (não só o nosso, mas este livro passa-se cá) cada vez com menos disso: extremos, extremos e mais extremos.

SOBRE O AUTOR

Francisco Sousa Lobo

Vive em Londres desde 2005. Faz BD desde 1980. Estudou e praticou arquitetura durante dez anos. Agora trabalha em artes plásticas e banda desenhada, e não distingue já bem entre as duas coisas. Expõe em Inglaterra e Portugal. Estuda a nível de doutoramento (arte) em Goldsmiths College. Participou em vários jornais universitários e no Público. Também publica nas áreas da crítica artística e estética.

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