Fotografia e Verdade
Uma história de fantasmas
SINOPSE
EXCERTOS
«Desde o segundo quartel do século dezanove que a ideia de fixar o percebido numa imagem, e comessa fixação poder destacar elementos do observado, de outro modo insignificantes ou impossíveis de observar, condicionou toda a experiência humana. A partir daí, a realidade objectiva proporcionada pelo automatismo fotográfico estabeleceu-se como condição de sustentação de qualquer acto comunicacional, tendo o dispositivo
fotográfico crescido na dimensão dos seus programas como um polvo com múltiplos tentáculos.
Esta obra pretende sublinhar a forma como esse efeito objectivante da fotografia lhe permitiu impor-se como garantia epistémica emmúltiplos dos seus campos de aplicação. Permitiu-lhe apresentar-se como testemunho, meio de verificação, prova irrefutável do acontecimento, compelindo a todo um imaginário criado em torno do “efeito de real” decorrente da imagem mecânica.
No entanto, paralelamente e paradoxalmente, foi esse efeito realista e documental, bemcomo a sua natureza automática, propiciador de fantasmatizações de vária ordem, que veio permitir a utilização da fotografia como garantia epistémica de realidades fora do domínio do observável. Exemplos disso são os discursos em torno da optografia, da fotografia espírita e da fotografia de fluidos.
Assim, ao longo desta obra, e usando uma metodologia diversa que combina pesquisa histórica de arquivo como estudo de fontes filosóficas e científicas, procurou desenhar-se o que se poderá chamar de arquivo fantasmático do automatismo fotográfico, já que a análise deste efeito se centrou no confronto de fontes e documentos que privilegiam essas mesmas possibilidades de transgressão do observado a partir da suposta—e
garantida—verdade da fotografia. O confronto com fontes da época, material de arquivo, espólios de imagens, foi decisivo para a fundamentação do ponto de vista deste trabalho, que pretendeu explorar os aspectos mais fantasmáticos do automatismo fotográfico e colocá-los em diálogo com a cultura na qual brotaram.
Finalmente, a articulação de toda a pesquisa em torno da importância atribuída às propriedades automáticas da fotografia é colocada em relação com os modos como o automatismo surge noutros campos do conhecimento e da cultura contemporânea do primeiro século da existência da fotografia, como um conceito que permite colocar discursos e práticas muito diferentes na sua ambição e objectivos numa plataforma
de comensurabilidade, ou seja, de identidade conceptual.»
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-37-1561-3 |
| Editor: | Assírio & Alvim |
| Data de Lançamento: | dezembro de 2010 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 161 x 221 x 23 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 288 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Arte e Produção |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Arte
>
Fotografia
|
| EAN: | 9789723715613 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Excelente
Rute Ferreira
Um livro ótimo para amantes da fotografia. Interessante para amadores e curiosos da matéria. Muito útil para quem estuda a fotografia no seu todo.
Meia-verdade
joaquim anacleto
Comprei o livro supondo que fosse um estudo um pouco mais abrangente. É um trabalho bom, e de rigor, mas ficou aquém das minhas expectativas, que eram a de uma obra de análise geral da estética fotográfica.
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