A Porta
de Magda Szabó
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Sobre o livro
Sobre o Livro
Romance escrito em tom confessional e vagamente autobiográfico, A Porta narra a estreita relação que se estabelece entre duas mulheres na Hungria dos anos do pós-guerra: Magda, uma jovem escritora, e a sua empregada, Emerence, uma camponesa analfabeta.
Magda, até então impedida de publicar, é politicamente reabilitada pelo regime, e torna-se escritora a tempo inteiro, alcançando, aos poucos, o merecido sucesso e reconhecimento social.
Ao mudar-se para um apartamento maior, emprega Emerence para a ajudar com as lides domésticas. Esta é uma figura enigmática, respeitada e quase temida pela vizinhança, sobre a qual exerce uma autoridade natural, embora ninguém conheça verdadeiramente o seu passado ou vida privada. A porta de sua casa está sempre fechada.
A inesperada e dramática doença do marido de Magda reforçará a ligação e intimidade entre as duas mulheres, as quais, não obstante as enormes diferenças que as separam, estabelecem uma insólita relação de dependência e confiança mútua, que fará Emerence abrir a porta de sua casa a Magda, revelando-lhe os segredos de um passado traumático, ao mesmo tempo que precipita um final trágico na sua relação.
Nova tradução, feita diretamente do húngaro pelo reconhecido escritor e ensaísta Ernesto Rodrigues.
The New York Times
«Uma obra de arte. Um dos triunfos alcançados por Szabó foi ter escrito uma obra profundamente política, enraizada na vida doméstica»
London Review of Books
As possíveis contradições do ser humano e dos valores pelos quais se norteiam como a amizade e as suas diversas manifestações. A dificuldade de duas mulheres comunicarem por terem estatutos sociais diferentes. Um país totalitário que manipula os cidadãos. Temáticas suficientes para Magda Szabó transformar num bom livro.
Portentoso livro, esculpido ao detalhe e, provavelmente,em silêncio, colocando-nos frente a frente com paradoxos existênciais diários,e guiando o nosso espírito por uma série de questionamentos constantes,sejam eles mais ou menos conscientes. A história de Magda,a escritora " mandriona" e a sua mulher a dias Emerence - um átomo infatigável que blinda em absoluto o seu universo, é o substrato no qual o livro decorre. A dureza aparente de Emerence, uma mulher sem concessões ( políticas, religiosas, filosóficas ou afectivas) entra na vida de um casal de escritores no período por embargo comunista no declínio do império austro-hungaro. A mulher que entra na casa dos outros como forma de ganhar a vida ,não entreabre a porta da sua própria casa a propósito de nada, e desse conflito silencioso nasce uma narrativa pungente,que não nos larga e que não se esquece. Memorável
Gostei bastante da escrita e da história. Vale a pena.
Uma jovem escritora na Hungria dos anos oitenta é a narradora deste relato escrito como uma confissão, mas é a criada (em sua casa e de muitos outros vizinhos do mesmo bairro) Emerence a personagem principal. Uma “velha senhora” austera, recatada, intransigente, obstinada, notável em força física e por ser exímia na forma como desempenha as suas funções, muitas vezes insuportável, mas que gostava de prestar auxílios, de oferecer presentes, mas não aceitava nada. Não dorme deitada, nem tem cama. Dormita sempre sentada desde que viu os antigos patrões mortos na cama depois de tomarem cianeto em plena 2ª guerra mundial. A brutalidade com que a vida a tratou, apenas lhe deixa como opção a criação de um castelo inexpugnável, o seu pequeno apartamento onde ninguém entre, onde só ela manda e que só partilha com os seus animais. Mantém a porta do seu apartamento fechada para toda a gente, no máximo recebe os vizinhos mais chegados no patamar exterior do seu andar. (p.116) “Emerence partira para a cidade, esta aceitara-a, mas ela não aceitara a cidade, visto que o seu único meio real somente existia atrás de uma porta fechada, se alguma vez o mostrasse, não seria por sua iniciativa”. Não sendo um romance sobre a História da Hungria e muito menos da Europa do século XX, espelha a vida quotidiana e privada dos cidadãos que não viram outro mundo que não o dos totalitarismos. Que vivem as suas vidas numa camada distinta da História escrita, que não a fizeram nem a tentaram alterar, mas que tiveram que encontrar uma forma de viver as suas vidas com as regras que estavam em vigor. Uma obra-prima de literatura, no conteúdo e na forma.