XX Dessins

by Amadeo Souza-Cardoso
Publisher: Documenta, May of 2016 ‧
Esta edição fac-similada do álbum XX Dessins, de Amadeo de Souza-Cardoso (1912), foi publicada por ocasião da exposição «Amadeo de Souza Cardoso 1887-1918», organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Réunion des Musées Nationaux - Grand Palais, em Paris, de 20 de Abril a 18 de Julho de 2016.

«Cardoso não procede de ninguém, nem mesmo de Deus. Criou um mundo totalmente novo. A natureza, os seres vivos, animais ou criaturas humanas, flora e fauna, tudo saiu do seu cérebro de lírico alucinado. Como afirma, com razão, Jérôme Doucet, "trata-se de construções arquitecturais tão libertas de convenções, que poderiam ser habitantes ou construções de outro planeta".
Cardoso recorre a estilizações prodigiosas, alongamentos, estiramentos, contorções, meneios, que nos trazem à ideia El Greco, os nus de Cézanne, não sei que imagens de divindades patagónicas, polinésias, mexicanas, astecas. Para além disso, é português. Os seus personagens são exageradamente longos, com minúsculas cabeças ovais. O efeito é inesperado, sufocante, superiormente decorativo, como certas velhas tapeçarias medievais. Arte bárbara e ao mesmo tempo refinada, antiga e de um modernismo, digamos de um bizantinismo decadente, excessivo e pueril.
A fauna e a flora são teratológicas; na floresta virgem, confundem-se lianas, cactos, aloés… unicórnios, tigres, cavaleiros, amazonas loucamente ondulosas, caçadas onde tudo, corcéis, lebres, veados, se lança em galopadas frenéticas. Lugares de sonho, visões de um fumador de ópio, de um comedor de haxixe, marinhas apocalíticas, caóticos céus de tinta…» [Louis Vauxcelles, Gil Blas, 1912).

XX Dessins

by Amadeo Souza-Cardoso

Property Description
ISBN: 9789898834171
Publisher: Documenta
Release Date: May of 2016
Language: Portuguese
Dimensions: 220 x 266 x 14 mm
Pages: 136
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Art > Arts in General
EAN: 9789898834171

ABOUT THE AUTHOR

Amadeo Souza-Cardoso

Amadeo Ferreira de Sousa Cardoso nasceu em Manhufe, Amarante, a 14 de novembro de 1887, no seio de uma família numerosa da burguesia rural, culta e profundamente católica. Depois de frequentar o liceu em Amarante e mais tarde em Coimbra, ingressou, em 1905, num curso preparatório de desenho na Academia Real de Belas-Artes, em Lisboa e, no ano seguinte, partiu para Paris, com a finalidade de cursar arquitetura. No entanto, o estudo e a prática continuada do desenho, em especial da caricatura, que nessa época mais o ocupava, levaram-no a abraçar a pintura como vocação e destino. Integrado nas vanguardas modernistas internacionais que convergiam na capital francesa, Amadeo rejeitou o naturalismo e as abordagens académicas, desenvolvendo uma linguagem pictórica peculiar, sintetizadora de múltiplas referências num estilo disruptivo e vincadamente original. Entre a Paris cosmopolita e o Portugal profundo das suas origens, trilhou um percurso fulgurante que lhe deu uma projeção internacional inédita na pintura portuguesa — um percurso interrompido, em plena maturidade artística, pela morte precoce, em Espinho, a 25 de outubro de 1918, durante a epidemia de gripe pneumónica que então assolou a Europa.

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