Tocata Para Dois Clarins

by Mário Cláudio
Publisher: Dom Quixote, June of 2010 ‧
Em Agosto de 1936, dois jovens portugueses, António e Maria, iniciam um namoro que, quatro anos mais tarde, haverá de os levar ao casamento. Partem para Lisboa, em viagem de núpcias, e visitam a grande Exposição do Mundo Português, dando conta, um e outro, em capítulos alternados, da sensibilidade com que vivem as suas experiências. Por entre a voz que utilizam, entretanto, é a partitura de um «nós» tribal que vão escutando, obrigados a uma espécie de ditado escolar, feito de linhas que falam da Grei, de reis e de heróis e de santos. Nas margens do Tejo, porém, eis que os germes da derrocada do Império se estão tão traiçoeiramente incubando. Daí que relatar a Guerra de Espanha, as primeiras efemérides do segundo conflito mundial, a meticulosidade com que acerta Oliveira Salazar as suas contas com a Pátria, as chamas que devoram as colónias de África, tudo isso signifique contemplar o nosso retrato futuro, quer dizer, este mesmo que nos sobrou.

Tocata Para Dois Clarins

by Mário Cláudio

Property Description
ISBN: 9789722040730
Publisher: Dom Quixote
Release Date: June of 2010
Language: Portuguese
Dimensions: 155 x 236 x 8 mm
Cover: Softcover
Pages: 136
Format: Book
Collection: Autores de Língua Portuguesa
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722040730

Os clarins anunciam nossa memória saudosista

daniel vecchio alves

Essa perspectiva do maravilhoso também pode ser encontrada efetivamente na sua obra publicada em 1992, Tocata para Dois Clarins, em uma veia mais política do mito. A obra protagonizada pelo casal António e Maria, os pais do dito escritor , se casam em 1940 e partem para Lisboa em viagem de núpcias. Nessa viagem visitam a grande Exposição do Mundo Português, evento organizado pelo regime salazarista nesse esmo ano com a finalidade de preservar a memória épica dos descobrimentos portugueses, dentre eles a memória do navegador Vasco da Gama. É preciso salientar que a Exposição do Mundo Português reafirmou um padrão de comportamento estético e moral que se resumia em um passado lendário e grandioso, cujo universo estavam imersos o casal protagonista da história. Contudo, não servindo às interpretações esplendorosas da ordem vigente nesse tempo símbolo representado, o narrador da obra desloca o perfil de Vasco da Gama do elogio para a loucura, traçando um capitão não isento de miragens descontroladas e crenças populares provenientes da tradição cultural portuguesa. Daniel Vecchio

ABOUT THE AUTHOR

Mário Cláudio

Mário Cláudio nasceu no Porto. Ficcionista, poeta, dramaturgo e ensaísta, é formado em Direito pela Universidade de Coimbra, diplomado com o Curso de Bibliotecário-Arquivista, da Faculdade de Letras da mesma Universidade, e Master of Arts em Biblioteconomia e Ciências Documentais, pela Universidade de Londres.
É autor de uma vasta e multifacetada obra que abarca a ficção, a crónica, a poesia, a dramaturgia, o ensaio, a literatura infantojuvenil, e se encontra traduzida em várias línguas. Foi galardoado com, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores-DGLAB (atribuído por três vezes), o Prémio PEN Clube, o Prémio Eça de Queiroz, o Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Literário Fernando Namora e o Prémio Pessoa, sendo igualmente titular de várias condecorações nacionais e estrangeiras. Em 2019 foi-lhe atribuído o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Sociedade Portuguesa de Autores apresentou-o recentemente como candidato ao Prémio Nobel de Literatura.
A sua obra ficcional, não raro composta por trilogias, inclui títulos como Amadeo, Guilhermina, Rosa, Gémeos, Camilo Broca, Tiago Veiga: Uma Biografia, Retrato de Rapaz, Astronomia, Tríptico da Salvação, Teoria das Nuvens e Diário Incontínuo.

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