O Funeral de Neruda
Cravos vermelhos para Pablo
SYNOPSIS
Esta peça levanta a dúvida sobre as causas da morte de neruda e levou à 2.ª exumação do seu corpo.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789899877191 |
| Publisher: | Apuro Edições |
| Release Date: | November of 2016 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 135 x 212 x 5 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 76 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Theatre (Work)
|
| EAN: | 9789899877191 |
REVIEWS
Luís Sepulveda homenageia Pablo Neruda
António Martins
Luís Sepúlveda juntou-se a Renzo Sicco para escrever uma peça de teatro em que descrevem os últimos 12 dias de vida do grande poeta Pablo Neruda e as circunstâncias estranhas em que foi velado o seu corpo. Nessa época imperava o recolher obrigatório no Chile, no entanto, uma multidão participou no funeral de Pablo Neruda, dando origem à primeira manifestação popular contra o regime do ditador Augusto Pinochet. Um livro obrigatório para conhecer o início da repressão no Chile e a luta que o povo travou para a impedir
Recensão crítica ao livro O Funeral de Neruda
Frederico Ferreira
O poeta Pablo Neruda disse certa vez “Podes cortar todas as flores, mas não podes impedir a Primavera de aparecer”. Acho que esta afirmação encarna bem aquele que era o espírito aguerrido do poeta que se servia do verso como arma para alertar a sociedade para os vários perigos que ameaçam a liberdade. Pablo Neruda foi um cidadão no verdadeiro sentido da palavra. Ou seja, foi um homem que se preocupou e dedicou a sua vida em prol dos seus compatriotas e que se importava com o facto que eles fizessem uso pleno da liberdade quer no que diz respeito aos seus direitos civis, quer no que diz respeito aos seus direitos políticos. Neruda foi sempre um forte opositor dos regimes autoritários e opressivos. O Funeral de Neruda é um texto dramático da autoria de Luíz Sepúlveda e Renzo Sicco, traduzido para português por Antonio Sabler, editado em Portugal pela associação APURO, que retrata os últimos dias de vida do poeta e o que se passou após a sua morte. Para além do texto dramático, este livro, contém, ainda, um apêndice onde podemos ler: a correspondência trocada entre um dos autores, Renzo Sicco e Manuel Araya, o motorista pessoal de Neruda, que esteve presente nos últimos dias do poeta; o relato do encontro entre Sicco e Araya; um texto de Gabriele Romagnoli, jornalista e escritor italiano, sobre o poeta; e, finalmente o testemunho de Manuel Araya, sobre o que se passou naquele fatídico dia em que o poeta deixou o mundo dos vivos. A partida de Neruda deste mundo é, ainda, hoje em dia, um tema de debate, extremamente controverso e envolto numa áurea de mistério. Há quem defenda que a sua morte é o resultado duma longa luta contra o cancro, outros, como é o caso da sua última mulher, Matilde Urrutia, do desgosto provocado pelo golpe de estado, e, finalmente, temos quem defenda a tese de assassinato, através de envenenamento, tal como afirma Manuel Araya, o seu motorista pessoal. No dia 11 de setembro de 1973, na sequência dum golpe de estado, desencadeado pelas forças militares, com o intuito de derrubar o regime democrático constitucional do Chile e do seu atual presidente, o Presidente Salvador Allende, que era amigo de Neruda, terá falecido. Allende, inicialmente, ainda terá resistido ao ataque da Força Área Chilena que bombardeou o Palácio de La Moneda, onde se encontrava. O Palácio incendiou-se. Allende terá ordenado a que evacuassem o Palácio ficando ele só à mercê dos seus inimigos. Segundo o testemunho do seu médico pessoal, Allende, terá se suicidado com um tiro de metralhadora debaixo do seu queixo. No entanto, há quem defenda que ele foi sumariamente executado. Nesse dia, Neruda, encontrava-se na sua casa Isla Negra. Tinha programado para esse dia a inauguração de Cantalao, uns terrenos que ele tinha adquirido e onde queria erigir uma residência para acolher escritores de todo o mundo, mas a notícia do golpe de estado abalou-o tanto que acabou por ter de a cancelar. A amigos próximos, familiares terá confidenciado: “Vão-nos matar a todos. Será como o que aconteceu em Espanha”. [vide Guerra Civil Espanhola] Ao fim e ao cabo, Neruda tinha receio que o que tinha acontecido ao seu bom amigo Federico García Lorca lhe viesse, também, acontecer a ele. Esse pensamento não seria descabido de todo como se veio, mais tarde, a confirmar. No dia 19, Neruda é transportado para a Clínica Santa María, em Santiago, onde só a acabaria por a deixar já sem vida. O poeta do amor fraternal, Pablo Neruda, morre a 23 de setembro de 1973, em Santiago, aos 69 anos, deixando um enorme legado quer no campo da escrita, poesia, quer na forma como viveu a sua vida. É um exemplo para todos nós. E devemos estar-lhe gratos por tudo de bom que nos trouxe. Obrigado Pablo!
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