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Dias Perfeitos

by Raphael Montes
Book eBook
Publisher: Cultura Editora, February of 2026 ‧
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Téo é um solitário estudante de medicina que divide o tempo entre os cuidados que presta à mãe paraplégica e a dissecação de cadáveres. Numa festa, conhece Clarice, uma jovem livre e criativa que está a escrever um guião para um road movie. Fascinado, Téo transforma a obsessão que sente por ela em sequestro e obriga-a a viver a viagem do próprio guião, entre cenários idílicos e claustrofóbicos. Com frieza e lógica perturbadora, impõe-lhe uma rotina insólita, enquanto Clarice oscila entre a resistência e a resignação. O resultado é um romance sombrio, vincado por tensões e reviravoltas, que consagra Montes como um dos mestres do thriller psicológico.

O prodigioso autor brasileiro Raphael Montes, que aos 20 anos surpreendeu na estreia com Suicidas — já publicado pela Cultura, tal como Jantar Secreto e Uma Família Feliz —, regressaria aos 23 com Dias Perfeitos, um segundo livro que viria a tornar-se um dos trabalhos mais icónicos da sua carreira literária e um marco incontornável na literatura policial contemporânea.

Traduzido para 16 idiomas. Publicado em 20 países. Adaptado a teatro e a televisão. Pensado para si.

«Uma mistura do suspense de Alfred Hitchcock com o humor ácido de Quentin Tarantino. Um ritmo eletrizante, cheio de reviravoltas chocantes e macabras.»
The Guardian

«Raphael Montes é um autor tão ousado quanto Stephen King, Chuck Palahniuk, Agatha Christie e Patricia Highsmith.»
Chicago Tribune

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À conversa com Raphael Montes

Raphael Montes é um escritor e guionista brasileiro que se destacou muito jovem no panorama literário ao publicar Suicidas, obra que escreveu entre os 16 e os 19 anos e que rapidamente chamou a atenção pela ousadia temática e pela construção narrativa pouco convencional.

Nascido no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, mas foi na literatura policial e no suspense psicológico que encontrou a sua verdadeira voz. O seu estilo marcado por personagens complexas e atmosferas inquietantes, levou-o ao audiovisual, onde assina guiões para cinema e televisão.

Nesta entrevista, na altura em que a Cultura Editora lança uma nova edição do romance Dias Perfeitos, o escritor revisita a sua carreira literária com o entusiasmo de quem se diverte a criar mundos e a desmontar hipocrisias sociais com um humor muito próprio sobre o lado sombrio da vida. Raphael Montes_Foto © Stefano Martino O que te levou a dedicares-te à escrita?
Sempre fui apaixonado por contar histórias. Começou lá pelos treze anos, quando ganhei de presente alguns livros do Arthur Conan Doyle e da Agatha Christie, da minha tia-avó, Cici, que é quem eu dedico meu primeiro livro, Suicidas. Ali, eu soube que queria criar minhas próprias histórias, além de falar dos assuntos que mais me intrigam, como a hipocrisia social, e ver histórias de crime em Copacabana, não em Nova Iorque.

Que autores ou criadores mais te têm inspirado?
Minha maior influência é a Agatha Christie, sou fã e coleciono tudo dela. No policial, também gosto muito da Patricia Highsmith, do Rubem Fonseca e do Luiz Alfredo Garcia-Rosa. No audiovisual, minhas referências são Gilberto Braga e Silvio de Abreu, além do suspense de mestres como Hitchcock e Brian De Palma.

Que desafios mais diferenciam a escrita de um livro da escrita de guiões para filmes ou séries? E do que mais gostas em cada género?
A literatura me permite mergulhar no psicológico dos personagens, e cria uma intimidade com o leitor que a câmara nem sempre alcança. Escrever é um processo solitário, mas é também onde eu tenho o controle do resultado final. Já no roteiro, o que me encanta é o trabalho coletivo e a força visual, especialmente na novela, que tem o "tempo do romance" para desenvolver personagens complexos.

Escreveste Suicidas entre os teus 16 e 19 anos. O que te levou a escrever sobre um tema tão difícil, nessa altura da tua vida?
Tenho um carinho imenso por Suicidas porque ele é um livro muito ousado e, de certa forma, até irresponsável. Eu escrevia de madrugada, enquanto fazia faculdade de Direito e estágio durante o dia. Essa força e o grau de absurdo da história só foram possíveis por causa da minha inocência e daquela "ousadia de quem tem 16 anos" e quer apenas contar uma boa história, além de também me desafiar como leitor.

O que foi mais desafiante ao escreveres esse livro?
O maior desafio foi a estrutura. Narrar em três tempos diferentes (o diário do Alê, o caderno do porão e a reunião das mães) foi um quebra-cabeça. Além disso, lidar com temas pesados me exigiu uma ousadia. Meu editor chegou a pedir para tirar algumas cenas mais pesadas, mas bati o pé porque elas eram a alma do choque que eu queria causar.

O facto de Suicidas abordar o suicídio coletivo entre jovens da elite carioca gerou críticas por parte da sociedade na altura?
Na época, muita gente dizia que o livro era "errado" ou pesado demais, especialmente pelo título e por tocar na ferida do suicídio entre jovens de classe alta. Ouvi de editores que o livro era "irresponsável”. O reconhecimento literário só veio mesmo quando fui finalista de prémios importantes, provando que ali tinha muito mais além da polémica.   «A literatura policial atrai-me pela estrutura do enigma, (…) e por me deixar explorar questões éticas e morais sobre sociedade e violência»

O que sentiste ao ver a adaptação teatral feita do livro e estreada em 2015? Deu-te impulso para te tornares guionista?
Foi divertido ver a estreia da peça Roleta Russa em 2015, já que eu tinha decidido não interferir em nada para ver a visão de outras pessoas, e como elas iam adaptar a minha história. Acho muito legal como meus livros são visuais e funcionam bem seja no papel, na tela ou no palco. Mas o impulso de ser roteirista veio antes.

A narrativa de Suicidas alterna entre o diário pessoal do protagonista, a transcrição de uma reunião com uma delegada e as mães, e o relato em tempo real da roleta-russa, com cenas gráficas e tensão crescente. Pelo ritmo e pelas imagens que revela, este livro parece um guião de filme. Podemos considerar-te um guionista escritor?
Eu me enxergo, acima de tudo, como um contador de histórias. Confesso que Suicidas nasceu justamente de um projeto de roteiro para cinema que fosse barato de filmar, e é por isso que tem esse ritmo frenético nas cenas. Pra mim, literatura e audiovisual são linguagens complementares: enquanto o roteiro foca na imagem, o livro me permite colocar o leitor mais próximo do psicológico dos personagens, muitas vezes de forma que não é possível fazer no audiovisual.

Quando poderemos ver Suicidas passar aos ecrãs?
Ainda não tenho nada para anunciar no momento, mas sigo buscando as melhores formas de levar os meus livros às telas, com toda a qualidade que os meus leitores esperam.

Quais dirias serem os ingredientes mais importantes para a escrita de um livro como os teus, que juntam o suspense ao humor negro?
Acho que o segredo é a narrativa direta, sem enrolação, mas aliada a personagens psicologicamente complexos. Eu busco criar situações absurdas, como em Suicidas e Jantar Secreto, pra provocar e discutir hipocrisias sociais sem ser didático. Outro ingrediente importante é a empatia, vestir cabeças que não são as nossas para explorar o lado sombrio de todos nós.

O que te atrai tanto na literatura policial, da qual já és um dos nomes mais destacados no Brasil e – cada vez mais também – internacionalmente?
Ela me atrai pela estrutura do enigma, que foi o que me fisgou para a leitura ainda na adolescência. Além do entretenimento, o gênero me deixa explorar questões éticas e morais sobre sociedade e violência, às vezes sem que o leitor perceba. É um gênero que fisga o leitor pela emoção, e ali a gente está discutindo temas também da dita "alta literatura".

Estás a trabalhar num novo livro? Podes dar-nos uma antevisão sobre o que será?
Sim, eu recentemente anunciei que estou trabalhando no meu novo livro, A Estranha na Cama, que é também um filme roteirizado por mim para a Netflix, que já está sendo produzido. A história é sobre um casal em crise que, tentando melhorar as coisas, abre a relação e convida uma terceira mulher para a cama. Mas eles logo são jogados numa espiral de segredos, perigos e reviravoltas. Aguardem por mais novidades em 2026.

Dias Perfeitos

by Raphael Montes

Property Description
ISBN: 9789895776429
Publisher: Cultura Editora
Release Date: February of 2026
Language: Portuguese
Dimensions: 151 x 233 x 19 mm
Cover: Softcover
Pages: 288
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Police and Thriller
EAN: 9789895776429

Desconcertante e Perturbador

Belisa Nogueira

Um livro desconcertante e perturbador. Durante a leitura assistimos ao crescimento da psicopatia de Téo, através da sua obsessão por Clarice. O meu "eu interior" sentiu revolta durante a leitura, mas o meu "eu leitor" gostou da construção psicológica das personagens e da existência da segunda opção de final.

Perturbador

Sandra Chaves

Este é um livro perturbador, bem escrito e absolutamente envolvente. Ler pela perspectiva do Teo é sufocante. É como estar preso dentro de uma mente que não mede limites, presenciando manipulações e atitudes perturbadoras. Dá a sensação de sermos cúmplices forçados, incapazes de mudar nada. Raphael constrói o perfil de um psicopata de forma brilhante: com calma, lógica e frieza. É uma leitura forte, com cenas intensas, mas o autor nunca cai no exagero, e o desconforto vem justamente da naturalidade com que tudo é contado. Se você gosta de thrillers psicológicos intensos, daqueles que mexem com a mente e deixam aquela sensação de "meu Deus, o que acabei de ler?",essa leitura é perfeita. Uma leitura que realmente marca e vai ficar no seu inconsciente durante muito tempo

Perturbador

Rita Carmo

Um enredo perturbador, um psicopata obcecado por uma mulher, amor doentio e louco. Genial e intenso, quer ler mais do autor

ABOUT THE AUTHOR

Raphael Montes

Raphael Montes nasceu em 1990, no Rio de Janeiro, no Brasil. Escritor, guionista e produtor, publicou O Vilarejo, Uma Mulher no Escuro, Suicidas, Jantar Secreto, Uma Família Feliz e Dias Perfeitos, estes quatro últimos editados pela Cultura.
Vencedor do prémio Jabuti, a sua obra está traduzida para mais de 25 idiomas e tem direitos vendidos para teatro e cinema. Montes escreveu os filmes Praça Paris, A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais. Criou Beleza Fatal, em streaming na HBO Max, e Bom Dia, Verônica, série da Netflix.

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