Atletismo Português

Gestão da Crise de Valores

by António Nobre
Publisher: Editorial Caminho, April of 2005 ‧

Este livro é um importante contributo para uma necessária e urgente modernização da nossa organização e pode representar simultaneamente um ponto de partida para uma discussão mais alargada sobre o futuro do atletismo. É também um retrato fiel da perseverança do autor e demonstra uma enorme vontade de participar na mudança, recusando liminarmente o estado de descrença, de apatia e de imobilismo em que se encontra a modalidade.
(Prof. José Carvalho - Treinador de atletas olímpicos)

À medida que fui lendo, fui entendendo este livro como um interessante instrumento de apoio às questões da gestão desportiva, em especial para estruturas como são uma federação desportiva, uma associação ou até mesmo um clube, pois baseou as suas ideias, não só no que pensa e nas experiências vividas mas em formulações e constatações de diversos autores reconhecidos da área da gestão. São permanentes os exemplos e as analogias a organizações de sucesso de outras áreas, que também servem de inspiração para o rumo aos objectivos de um organismo de carácter desportivo, verificando que é cada vez maior o lado globalizante, interactivo e diverso do desporto dos dias de hoje.
(Susana Feitor - Atleta participante em 4 Jogos Olímpicos e Presidente da Comissão de Atletas Olímpicos)

Índice:
Preâmbulo
Introdução

1. GESTÃO DE RECURSOS DESPORTIVOS
Conceito de gestão
O papel de Henry Fayol
Funções de gestão
Níveis de gestão

2. FORMULAÇÃO DE UMA ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO
Visão, valores e missão
O processo estratégico
A velha história dos "mínimos" de última hora
Duas opiniões credenciadas e um bom exemplo
Que governo? Que política desportiva?
O enquadramento legislativo

3. A CRISE, AS BORBOLETAS E AS ALTERNATIVAS
Que objectivos?
Eficiência versus eficácia
Percepção dos efeitos nocivos da globalização
Conceito de crise
Consequências da crise
O efeito borboleta
Que alternativas?
Quem mexeu no Queijo da FPA?

4. REESTRUTURAÇÃO ORGÂNICA DA FPA
Pontos fracos das organizações
Perfil de diagnóstico organizacional
A representatividade de atletas e treinadores
Que sistema eleitoral adoptar?
As Tartarugas Ninja e o atletismo
A crise do atletismo nos clubes
Uma estrutura orgânica para a direcção da FPA

5. GESTÃO DE "RECURSOS" HUMANOS
O génio e o chefe
O capital humano
O aperfeiçoamento do desempenho
O trabalho, as pessoas e as recompensas
Uma estratégia de desenvolvimento de equipas

6. GESTÃO DA FORMAÇÃO
Que modelo de formação?
O ciclo de formação
Diagnóstico de necessidades de formação
Plano de formação
Avaliação da formação
Homologação e acreditação da formação
Escola ou academia do atletismo
Formação de formadores
Núcleo ou centro de formadores

7. PREPARAÇÃO OLÍMPICA, ALTA COMPETIÇÃO E SELECÇÕES NACIONAIS
O sistema de Alta Competição da FPA
Critérios de integração e tabelas de resultados
Factores de acesso às diferentes categorias
Subsídios para um novo modelo
Departamento de Preparação Olímpica,
Alta Competição e Selecções Nacionais
Critérios de selecção e "mínimos"
Centros de Alto Rendimento

8. FINANCIAMENTO
Um passado pouco produtivo
Um futuro mais reactivo
Uma visão actualizada do financiamento

9. COMUNICAÇÃO, PUBLICIDADE E MARKETING
Definição de uma estratégia de comunicação
Promoção versus publicidade
Relações públicas e imagem
Objectivos e meios das relações públicas
O relacionamento com a comunicação social
Os novos desafios da Internet
A imagem e a reputação de uma organização
Estratégias para promover a atracção de espectadores
Como se conquista um patrocinador
Os objectivos do patrocinador
Análise e avaliação do retorno
O caso concreto da FPA

10. COMPETIÇÕES E LOGÍSTICA
O calendário nacional
O exemplo alemão
A realidade portuguesa
Uma nova lógica de organização de competições

Conclusão

COMENTÁRIOS E OPINIÕES
Uma visão rumo ao futuro
Navegando rumo a um bom porto
Um futuro de esperança
Um livro e uma revolução
A correr contra(?) o vento

Bibliografia

Tenho vivido o atletismo com paixão ao longo dos últimos 20 anos. Este trabalho não mais é que o reflexo desse envolvimento. A intervenção em várias e distintas áreas da actividade desportiva permitiu-me, penso eu, adquirir um conhecimento com alguma abrangência e profundidade sobre o fenómeno desportivo e, em concreto, sobre a realidade do atletismo português, factor decisivo para o desenvolvimento de Atletismo Português. Gestão da crise de valores.
(António Nobre)

Atletismo Português

Gestão da Crise de Valores

by António Nobre

Property Description
ISBN: 9789722116992
Publisher: Editorial Caminho
Release Date: April of 2005
Language: Portuguese
Dimensions: 150 x 230 x 20 mm
Cover: Softcover
Pages: 196
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Sports and Leisure > Other Sports
EAN: 9789722116992
Recommended Minimum Age: Not applicable

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António Nobre

António Pereira Nobre nasceu a 16 de agosto de 1867, na Rua de Santa Catarina, no Porto. Filho de burgueses abastados, estudou em vários colégios da cidade invicta e passava os verões nas casas que a família tinha no campo, na Lixa ou no Seixo (o seu «paraíso perdido», como lhe chamou o maior biógrafo do poeta, Guilherme de Castilho), ou na praia, em Leça, frequentada pela colónia inglesa, onde viria a descobrir o fascínio do mar, o «Prof. Oceano», seu grande mestre da praia da Boa Nova, professor em «aula aberta», e onde conheceria Miss Charlote, jovem perceptora inglesa com quem viria a corresponder-se durante dois anos, e que lhe encurtaria o nome para Anto, que ele tornaria personagem de ficção nos "Males de Anto", poema que encerra o "Só". Começou a escrever muito cedo, os seus primeiros poemas datam dos 15 anos de idade. Ruma alguns anos mais tarde a Coimbra, onde cursará Direito. Nesta altura já publicara numerosos poemas em jornais e revistas. Faz parte do grupo da revista "Boémia Nova", dirigida por Alberto Oliveira. Acaba por ser reprovado no primeiro ano. Durante as férias vai cimentar-se a sua amizade com Alberto Oliveira, tendo ambos partilhado uma casa em Leça. Nobre convive também com os pescadores, que carinhosamente o tratam por «o Criatura Nova». Regressa a Coimbra e depois da segunda reprovação decide ir fazer a licenciatura para Paris. Aí contactará com os poetas simbolistas, conhece Verlaine (que, ao que consta, muito admirava os versos do poeta português) e muitas outras «celebridades e celebróides», que refere num caderno de apontamentos, entre as quais se encontram os escritores Émile Zola, Alexandre Dumas e Mallarmé, ou a atriz Sarah Bernhardt. Mas Nobre acabará por viver momentos de angústia na «cidade luz», lutando com dificuldades financeiras, longe da Pátria, dos lugares de infância e dos amigos. E é na solidão do seu quarto da rue des Écoles que escreverá muitos dos poemas que integrarão o "Só", publicado em Paris em 1892, pelo editor dos poetas simbolistas, Léon Vanier. A obra é mal acolhida em Portugal, com exceção de alguns amigos, mas quando o livro é reeditado seis anos depois, as reações já são mais favoráveis. Hoje faz-se-lhe finalmente justiça e "Só" está entre os livros maiores da literatura portuguesa. "Só" é um retrato do país em fins do séc. XIX, em especial do Norte ( Douro e Minho), feito com grande ironia. O verso do poema inicial, "Memória", «O livro mais triste que há em Portugal», levou a que erradamente muitos pudessem julgar que se trataria de um livro triste, escrito por alguém com uma sentimentalidade marcada pela tristeza por se encontrar tuberculoso. Na realidade, o poeta foi «atingido» pelo bacilo de Koch, já depois de publicada a primeira edição de "Só". No entanto, é impressionante como um dos poemas do livro, aquele que o encerra, "Males de Anto", parece uma predestinação. Escrito ainda durante os seus tempos de Coimbra, quando Nobre era um jovem saudável, "Males de Anto" que é ao mesmo tempo um retrato do Portugal rural e da "doença de alma" do poeta, acaba por se tornar uma perversa ironia, a ponto de o poeta, pouco antes da sua morte, fazer notar em carta a um amigo: «Deus castigou-me. Quando era feliz e apenas tinha arranhaduras dos 19 anos, escrevia os Males de Anto, exagerando tudo. Agora é que eu os sinto, depois de os ter exposto em Literatura.» Atingido pela doença, acabada a sua amizade com Alberto Oliveira, Nobre irá começar uma série de viagens, na esperança da cura. Primeiro na Suíça, em várias estâncias, de onde acabará por regressar a Portugal. Com o agravamento dos sintomas embarca para a América, passa por Nova Iorque e Baltimore, onde visita o túmulo de Edgar Allan Poe. Mais tarde, na Madeira, parece melhorar, mas regressa de novo ao continente. Lisboa, outra vez a Suíça, passagem por Paris, de onde regressa já muito mal ao nosso país. Depois de curta estada numa quinta da família, em Penafiel, chega a 17 de março de 1900 ao Porto, onde morreria no dia seguinte, aos 32 anos, numa casa na Foz. Deixou um grande número de poemas inéditos, que viriam a ser publicados postumamente nos livros "Despedidas", "Primeiros Versos" e "Alicerces", e muito mais tarde, a sua correspondência. António Nobre viria a ser reconhecido pelos modernistas e é hoje claro que foi um dos maiores contributos para a renovação da linguagem poética em Portugal. « Georges! Anda ver o meu país de Marinheiros, O meu país das Naus, de esquadras e de frotas! , Oh as lanchas dos poveiros, A saírem a barra, entre ondas e gaivotas! Que estranho é! Fincam o remo na água, até que o remo torça, À espera da maré, Que não tarda hi, avista-se lá fora! E quando a onda vem, fincando-o a toda a força, Clamam todos à uma: "Agôra! agôra! agôra!" E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo, (Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...) Que vista admirável! Que lindo! que lindo! Içam a vela, quando já têm mar: Dá-lhes o Vento e todas, à porfia, Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas, Rosário de velas, que o vento desfia, A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas: Senhora Nagonia! Olha, acolá! Que linda que vai com seu erro de ortografia... Quem me dera ir lá! Senhora Da guarda! (Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor) Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda O caçador! Senhora d'ajuda! Ora pro nobis! Calluda! Sêmos probes! Senhor dos ramos! Istrella do mar! Cá bamos Parecem Nossa senhora, a andar. Senhora da Luz! Parece o Farol... Maim de Jesus! É tal qual ela, se lhe dá o Sol! Senhor dos Passos! Sinhora da Ora! Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços Parecem ermidas caiadas por fora... Senhor dos Navegantes! Senhor de Matuzinhos! Os mestres ainda são os mesmos d'antes: Lá vai o Bernardo da Silva do Mar, A mailos quatro filhinhos, Vasco da Gama, que andam a ensaiar... Senhora dos aflitos! Martyr São Sebastião! Ouvi os nossos gritos! Deus nos leve pela mão! Bamos em paz! Ó lanchas, Deus vos leve pela mão. Ide em paz! Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados, O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes, E das vagas, aos ritmos cadenciados, As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes "As armas e os barões assinalados..." Lá sai a derradeira! Ainda agarra as que vão na dianteira... Como ela corre! com que força o Vento a impele: Bamos com Deus! Lanchas, ide com Deus! Ide e voltai com ele Por esse mar de Cristo... Adeus! adeus! adeus!» de Lusitânia no Bairro Latino, in "Só" Senhora d'ajuda! Ora pro nobis! Calluda! Sêmos probes! Senhor dos ramos! Istrella do mar! Cá bamos Parecem Nossa senhora, a andar. Senhora da Luz! Parece o Farol... Maim de Jesus! É tal qual ela, se lhe dá o Sol! Senhor dos Passos! Sinhora da Ora! Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços Parecem ermidas caiadas por fora... Senhor dos Navegantes! Senhor de Matuzinhos! Os mestres ainda são os mesmos d'antes: Lá vai o Bernardo da Silva do Mar, A mailos quatro filhinhos, Vasco da Gama, que andam a ensaiar... Senhora dos aflitos! Martyr São Sebastião! Ouvi os nossos gritos! Deus nos leve pela mão! Bamos em paz! Ó lanchas, Deus vos leve pela mão. Ide em paz! Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados, O Jeques, o Pardal, na Nam te perdes, E das vagas, aos ritmos cadenciados, As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes "As armas e os barões assinalados..." Lá sai a derradeira! Ainda agarra as que vão na dianteira... Como ela corre! com que força o Vento a impele: Bamos com Deus! Lanchas, ide com Deus! Ide e voltai com ele Por esse mar de Cristo... Adeus! adeus! adeusde Lusitânia no Bairro Latino, in "Só"

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