A Estratégia dos Antílopes

by Jean Hatzfeld
Publisher: Esfera do Caos, August of 2008 ‧
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PRÉMIO MÉDICIS 2007

Numa manhã abrasadora de Maio de 2003, uma fila de prisioneiros atravessa as portas da penitenciária de Rilima, cantando aleluias. Estes antigos assassinos ruandeses acabam de ser libertados, para surpresa de toda a gente, e sobretudo dos sobreviventes que os vêem instalar-se de novo nas suas parcelas, em Nyamata e nas colinas de Kibungo ou de Kanzenze. Que poderão agora dizer um ao outro Pio e Eugénie, o caçador e a presa na época das matanças na floresta de Kayumba, quando se cruzarem no caminho? Como poderão falar-se Berthe e o velho Ignace no mercado, se toda a verdade é demasiado arriscada?

Uma narrativa sobre... o mais horrendo genocídio das últimas décadas… os massacres que resultaram em quase um milhão de mortos e em milhões de refugiados… o sofrimento, a angústia, o desespero… o relato dos que, apesar de tudo, conseguiram sobreviver… as tentativas de reconciliação… as sementes da esperança… a necessidade de compreender o que aconteceu.

Feliz por ser africana... Uma das sobreviventes dos massacres diz, na abertura do livro: "Quando Satã propôs os sete pecados capitais aos homens, o africano escolheu a gula e a cólera." E acrescenta: "Sinto-me feliz por ser africana, porque, se assim não fosse, não poderia ser feliz em nada. Mas orgulhosa, não; de forma alguma."

Ainda mais perguntas?

«Quando Satã propôs os sete pecados capitais aos homens, o africano escolheu a gula e a cólera. Ignoro se as escolheu logo à primeira, ou se foi o último a escolher. Nem sei o que os europeus ou os asiáticos escolheram para eles, porque não viajei pelo mundo. Mas sei que esta escolha nos será sempre prejudicial. A cobiça sopra em África, atiçando mais guerras e conflitos do que a seca ou a ignorância. E, por entre o ruído, consegui instigar um genocídio nas nossas mil colinas.»
Como se quisesse aligeirar as suas palavras, Claudine Kayitesi interrompe-se com um lento sorriso e acrescenta: «Sinto-me feliz por ser africana, porque, se assim não fosse, não poderia ser feliz em nada. Mas orgulhosa, não; de forma alguma. Pode uma pessoa sentir-se orgulhosa de uma coisa que a incomoda? Sinto-me apenas orgulhosa de ser tutsi; isso sim, absolutamente, porque os tutsis deveriam ter desaparecido da terra e eu, porém, ainda aqui estou.»

Aquando da minha última visita, dois anos antes, Claudine ocupava a antiga casa da prima, em companhia de uma horda de crianças das redondezas, no cimo de um caminho íngreme, na colina de Rugarama. Uma casa de terra batida, já cheia de rachas e coberta por um telhado de folha metálica enferrujada, mas rodeada por um magnífico jardim odorífero, tratado pelas suas próprias mãos. Atrás, um telheiro abrigava os tachos e o curral de um cordeiro.
(...)
«Tinha oferecido a minha confiança de jovem rapariga à vida, sem subterfúgios. A vida traiu-me. Ser traída pelos vizinhos, pelas autoridades, pelos Brancos, é uma terrível má sorte. Depois disso, uma pessoa pode portar-se mal. Por exemplo, como um homem que recusa pegar na enxada, para ficar na taberna, ou uma mulher que descuida os filhos e não que tratar deles.
«Mas ser traído pela vida... Quem pode suportar isso? É uma coisa enorme, uma pessoa já não sabe deixar-se ir na boa direcção. Razão pela qual, de futuro, me manterei sempre de pé atrás.»

A Estratégia dos Antílopes

by Jean Hatzfeld

Property Description
ISBN: 9789898025586
Publisher: Esfera do Caos
Release Date: August of 2008
Language: Portuguese
Dimensions: 162 x 233 x 17 mm
Pages: 224
Format: Book
Collection: Esfera Contemporânea
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789898025586

ABOUT THE AUTHOR

Jean Hatzfeld

One of the most awarded French writers of today: Prix ​​November 1994; Prix ​​Pierre Mille 2000; Culture of France from the Prix 2001; Prix ​​Femmina 2003; Josef Kessel Prize 2004; Prix ​​Medici 2007.
Journalist (LibérationJean Hatzfeld, a reporter covering wars and revolutions (Iran, Lebanon, Eastern Europe, from Solidarity to the Berlin Wall, Bosnia, where he was seriously wounded by Kalashnikov fire, Iraq, Rwanda…) and acclaimed writer, in a recent interview with... Le SoirHe stated that his peculiar prose, halfway between journalistic writing and purely fictional narrative, allowed him to approach, with questions that tormented only him, the terrible realities of the Rwandan genocide.

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