William Morris
"Decifra-me ou devoro-te" parece sussurrar-nos à distância - com um sorriso ladino, no canto da boca - este verdadeiro enigma oitocentista. Senão, vejamos: poeta, artífice, vidraceiro, arquiteto, romancista, designer, tecelão, decorador, orador, restaurador, pintor, escultor, mestre, editor, administrador, carpinteiro, tipógrafo, gráfico, marcheteiro, marceneiro, calígrafo, oleiro, ensaísta e formador. O que não terá sido o velho polímata vitoriano? Fundou a Sociedade para a Proteção dos Edifícios Antigos, filiou-se na Fraternidade Pré-Rafaelita e deu lugar ao Movimento Artes e Ofícios em meados do século XIX. No último quartel do século, proclamou-se primeiro socialista, depois social-democrata e, finalmente, comunista. Ombro a ombro com Eleanor Marx e Friedrich Engels, ajudou a erigir uma nova visão social do mundo. Hoje, os seus papéis de parede decoram quartos e cortinados, estofos e chávenas, e não poucos grafismos levam a sua estampa. Antes mesmo de conhecer o seu nome, deparamo-nos com os seus impressos. O mar de mercadorias a que se opôs empedernidamente e a atomização da produção que combateu em vida - o que dá azo à novela utópica que o público leitor ora tem à mão de semear - não se detiveram nem mesmo diante das obras-magnas de suas mais finas artesanais.
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