Jenny Erpenbeck
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ESTRANGEIROS NA LITERATURA
Uma fronteira pode ser atravessada num dia, mas as suas consequências podem durar uma vida inteira. Poucos temas regressam tantas vezes à literatura como a experiência de deixar um lugar para trás e tentar reconstruir a vida noutro. Os romances sobre estrangeiros falam de viagens, mas também de desencontros, expetativas, memórias e mudanças de identidade. Falam daquilo que acontece quando alguém deixa de pertencer completamente ao sítio de onde veio sem conseguir pertencer por inteiro no lugar onde chegou. Ao Longe, de Hernán Díaz Nem sempre partir significa encontrar um lugar. Em Ao Longe, Hernán Díaz acompanha Håkan Söderström, um jovem sueco que atravessa o Atlântico em busca de uma nova vida, mas se perde quase de imediato num continente demasiado vasto para ser compreendido. Separado do irmão logo à chegada aos Estados Unidos, inicia uma procura que atravessa anos e territórios imensos.
Aproximando-se do universo do western, Díaz subverte o género ao colocar no centro da narrativa um homem incapaz de encontrar o lugar que procura. A América surge como terra de oportunidades, mas também de solidão. Håkan não domina a língua, não compreende os códigos, não encontra raízes. Quanto mais avança, mais remoto se torna o regresso e mais inalcançável aquilo que procura. COMPRO NA WOOK! » Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie Em Americanah, a transformação de Ifemelu não acontece no momento da chegada aos Estados Unidos, mas no modo como aprende a olhar para a sociedade onde vive, comparando-a com a Nigéria onde cresceu. Diferenças de linguagem, comportamento e expectativas moldam a sua experiência quotidiana.
As questões raciais tornam-se centrais: a cor da pele influencia oportunidades, relações e perceções. Adichie constrói um retrato atento da vida entre culturas, mostrando como Ifemelu aprende a viver com referências distintas e a olhar para ambos os países com distância crítica. Quando regressa à Nigéria, percebe que a viagem transformou não só a sua vida, mas também a forma como vê o lugar a que sempre chamou casa. COMPRO NA WOOK! » Eu Vou, Tu Vais, Ele Vai, de Jenny Erpenbeck Nem todas as fronteiras aparecem nos mapas. Em Eu Vou, Tu Vais, Ele Vai, Jenny Erpenbeck acompanha um grupo de requerentes de asilo africanos que vive em Berlim à espera de decisões que podem determinar o resto das suas vidas. Através de Richard, um professor reformado, o romance expõe a distância entre o discurso público e as vidas concretas.
Histórias de viagens perigosas, guerras, perdas e separações revelam que as fronteiras não desaparecem quando alguém entra num novo país: persistem nos processos burocráticos, nas leis e nas instituições. Erpenbeck dá rosto e voz a pessoas tantas vezes reduzidas a números, transformando uma questão política numa reflexão profundamente humana sobre dignidade. COMPRO NA WOOK! » Junto ao Mar, de Abdulrazak Gurnah À primeira vista, Junto ao Mar acompanha a chegada de Saleh Omar a Inglaterra para pedir asilo. Mas Gurnah interessa-se menos pela chegada do que pelo passado que a antecede: relações familiares complexas, perdas, ressentimentos e decisões que atravessam décadas.
O encontro com Latif Mahmud, também de Zanzibar, obriga ambos a confrontarem versões diferentes dos mesmos acontecimentos. O exílio surge como forma de habitar a memória. Mais do que um romance sobre a chegada a Inglaterra, Junto ao Mar mostra que compreender quem somos exige revisitar histórias que julgávamos encerradas. COMPRO NA WOOK! » O Enigma da Chegada, de V. S. Naipaul Poucos romances exploram tão bem a sensação de viver entre dois mundos como O Enigma da Chegada. Inspirado na experiência do autor, acompanha um escritor de Trinidad que se instala numa zona rural inglesa e tenta compreender a realidade que o rodeia.
A Inglaterra que encontra não corresponde àquela que conheceu através da educação colonial. Com o tempo, também a relação com a terra natal se transforma: o país de origem passa a existir sobretudo através da memória, misturando recordação e imaginação. Viver entre lugares significa viver entre versões distintas da realidade, sem regressar plenamente a uma nem integrar-se por completo na outra. COMPRO NA WOOK! »