Daniel Defoe
Tendo testemunhado na infância a Peste e o Grande Incêndio de Londres, acabou por se transformar num apaixonado por viagens depois de conhecer profundamente países como a França, Espanha e os Países Baixos. Com uma vida extremamente aventurosa, esteve encarcerado por dívidas e lutou durante um breve período de tempo na rebelião do duque de Monmouth. Poucos anos depois começou a escrever panfletos político-satíricos que, de novo, o iriam conduzir à prisão. Por intervenção de um ministro Tory, acabaria por ser libertado e durante onze anos viria a ser agente secreto e jornalista político dos Tories. Deliciou-se durante toda a vida na representação de diversos papéis e disfarces, utilizando-os com grande efeito como espião, e escreveu mais de quinhentos livros, panfletos e artigos jornalísticos abrangendo tópicos como a política, crime, religião, geografia, matrimónio, psicologia e sobrenatural. Morreu na cidade de Londres em 1731, segundo se diz de «uma letargia».
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AS ILHAS MAIS LITERÁRIAS DE SEMPRE
As ilhas sempre exerceram um fascínio particular em leitores e escritores. Isoladas, misteriosas, por vezes paradisíacas, outras vezes ameaçadoras, são espaços onde tudo pode acontecer: aventuras, naufrágios, utopias, revelações. Na literatura, as ilhas funcionam como laboratórios narrativos, lugares onde o mundo se reduz ao essencial, obrigando as personagens a confrontarem-se consigo mesmas.
A Ilha do Tesouro, a A ilha de Robinson Crusoe e a ilha de Utopia são três das mais marcantes do universo da literatura, e incluem personagens inspiradas nos antigos navegadores portugueses. Viaje connosco até cada uma delas! A Ilha do Tesouro – berço da aventura moderna A ilha de Stenvenson condensa o mito moderno da aventura. Este lugar onde o perigo, a ganância e a coragem colidem, é o mesmo onde nasceu grande parte do imaginário dos piratas que inspirou, e continua a inspirar, filmes, arte e produções teatrais. A força da Ilha do Tesouro está no equilíbrio perfeito entre mistério e descoberta. Mesmo quem nunca leu este romance, reconhece o seu imaginário, porque Stevenson moldou para sempre o género da aventura.
A história que o livro conta:
Jim Hawkins, um rapaz que vive na estalagem dos pais, vê a sua vida mudar quando o velho Billy Bones morre e deixa para trás um baú contendo o mapa do tesouro do pirata Flint. O que começa como uma promessa de fortuna transforma se numa viagem perigosa: a bordo do Hispaniola, Jim descobre que a maior ameaça é Long John Silver, o cozinheiro carismático e manipulador que lidera uma conspiração de piratas. Na ilha, as alianças e a lealdade são testadas, e Jim, que tem de ser mais forte que o medo, aprende a crescer à força. COMPRO NA WOOK! » A ilha de Robinson Crusoe – entre a solidão e a sobrevivência Quando Daniel Defoe publicou Robinson Crusoe, em 1719, inaugurou um dos cenários mais influentes da literatura ocidental: a ilha deserta como palco de reconstrução humana. Aqui, o protagonista aprende a sobreviver, a organizar o espaço, a dominar o tempo, a reinventar a própria identidade. Como muitas situações na vida, a ilha de Crusoe é tanto prisão, quanto oportunidade. Naquele lugar, o ser humano confronta-se com a solidão e com a Natureza, sentindo ainda a necessidade de criar sentido num mundo reduzido ao essencial.
A história que o livro conta:
Robinson Crusoe, um jovem inglês de York, desobedece aos pais e embarca numa vida no mar, acabando por ser escravizado por piratas mouros. Após ser resgatado por um capitão português que o leva para o Brasil, torna-se fazendeiro nesse território. A sua sede de aventura leva-o numa expedição rumo à costa africana. O navio acaba por naufragar e Crusoe, o único sobrevivente, consegue chegar a uma ilha deserta. Aí, constrói abrigo, cultiva alimentos, domestica animais e regista meticulosamente o seu quotidiano, sobrevivendo sozinho durante anos. Quando resgata um prisioneiro dos canibais que visitavam a ilha, ganha um companheiro e aliado, a quem dá o nome de Sexta Feira. Mas o seu isolamento estava longe de terminar… COMPRO NA WOOK! » A ilha de Utopia – o sonho do inalcançável Em 1516, Thomas More imaginou uma ilha em que vivia uma comunidade perfeita, organizada segundo princípios de igualdade, racionalidade e bem comum. Chamou lhe Utopia, palavra que desde então passou a designar todos os lugares ideais, e, por extensão, todos os lugares impossíveis. A ilha de More convida o leitor a pensar no que poderia ser uma sociedade justa, mas não deixa de revelar que qualquer projeto de perfeição tem a contradição como condição inerente. Utopia, a ilha literária, é um dos textos seminais do pensamento político moderno e da alvorada do humanismo. Em oposição ao conceito medieval de um Deus todo-poderoso, a razão, o pensamento crítico e a capacidade criativa dos seres humanos passam a estar no centro das reflexões.
A história que o livro conta:
No início do século XVI, em Antuérpia, Thomas More (que é também personagem de Utopia) é apresentado ao viajante português Rafael Hitlodeu. Este conta-lhe que, nas suas viagens pelo Novo Mundo, descobriu uma ilha extraordinária: Utopia, uma sociedade organizada de forma exemplar, onde a propriedade é comum, o trabalho é partilhado e a justiça é aplicada de modo equitativo.
Durante a longa conversa entre os três, Hitlodeu descreve em detalhe o funcionamento político, económico e social da ilha. Explica que os utopianos vivem em cidades planeadas, alternam períodos de trabalho agrícola, rejeitam o luxo e valorizam a educação. A ausência de propriedade privada elimina desigualdades e conflitos, permitindo uma convivência harmoniosa. É toda uma narrativa que contrasta com a Europa quinhentista, criticando-se a pobreza, a corrupção, a pena de morte para crimes menores e a ganância dos poderosos, face a um modelo mais racional e justo de sociedade. COMPRO NA WOOK! »