Soares d'Albergaria das Ilhas de Santa Maria e São Miguel
Edição/reimpressão: 2009
Editor: Dislivro
ISBN: 9789896391027
sobre o livro
Sinopse
Prefácio
Entre as famílias que "fundaram" os Açores - que, descobriram as ilhas e, durante séculos, as desbravaram, cultivaram, governaram, defenderam… - avulta, certamente a dos Soares de Albergaria, de Santa Maria e de S. Miguel.
Sucedendo directamente ao descobridor - (pelo menos descobridor oficial) - Frei Gonçalo Velho Cabral como Capitães dos Donatários das duas ilhas, trazem para a sua, hoje numerosíssima,descendência, ligações e linhagens antigas e ilustres que remontam à primeira dinastia. Antes de mais, a que a liga ao companheiro de D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa, Paio Delgado, fundador na mesma cidade da "Albergaria" da qual a família tomou o nome, que usa há quase novecentos anos.
Estas famílias tradicionais açorianas, ligadas por numerosíssimos vínculos de parentesco, animadas por um conjunto de valores a que foram fiéis ao longo dos tempos, corresponderam, durante séculos, a algo como um "corpo social" mais ou menos solidário. Recordando os principais de entre esses valores, refira-se, em primeiro lugar, o sentimento patriótico, que as levou ao envolvimento em todos os episódios relevantes da História de Portugal. Participaram dos Descobrimentos e da expansão ultramarina. Defenderam o Arquipélago contra espanhóis, (estiveram na sua maioria ao lado do Prior do Crato…), piratas ou ingleses… Fizeram, aqui, a Restauração.
Nas lutas civis foi, como se sabe, decisivo o apoio que deram aos liberais. Participaram constantemente do exercício de responsabilidades públicas. Referindo "famílias tradicionais" logo ouço o habitual alarido "bem pensante" contra os morgados e senhores que viveram, séculos, do abuso e da exploração do povo… e das mais valias auferidas por forma inaceitável.
Não cabe aqui a apreciação da teoria marxista das estruturas sociais… É claro que sempre houve ricos e pobres. E que num mundo de escassez, típico dos séculos de sociedade agrária, aquilo que uns tiveram outros não tiveram. E que os sofrimentos da pobreza foram terríveis. Mas a questão, vista no enquadramento histórico dos séculos, não permite responsabilizar um grupo ou classe pelos facto de a humanidade, como um todo, só a partir do século XVIII, ter conseguido encontrar a "receita" para começar a vencer, - lenta, lentissimamente embora -, a terrível ditadura da escassez relativa. Com o pensamento liberal e a revolução industrial… Não. As famílias antigas dos Açores não são responsáveis pela situação na qual toda a humanidade viveu séculos. E deve, até, com inteira verdade, reconhecer-se que muitas delas se envolveram constantemente em largas obras de caridade na tradição cristã. E que, a partir do Séc. XVIII, a maior parte toma, claramente, o partido "das luzes".
No Séc. XIX, beneficiadas pela riqueza da laranja, elas assumem papel de relevo a favor do desenvolvimento e promovem toda a casta de iniciativas culturais e de investimentos, quase sempre em associação com a emergente burguesia de negócios.
Ao longo do século da prosperidade travam, em permanência, o combate pelo progresso. Fundam associações para o fomento da economia e até chegam a intervir pontualmente em mercados de certos produtos agrícolas para estabilizar preços, a favor dos mais desfavorecidos. Participam de obras assistenciais. Patrocinam teatros, músicos, pintores, escritores. Criam jardins botânicos ao mais alto nível internacional. Dão um exemplo notável de civilização. As suas preocupações progressistas e o brilho com que vivem supera o da larga maioria das elites de província na Europa.
A tradicional ligação à administração pública que mantiveram contribuiu, decisivamente, para a ordem e o progresso dos Açores durante a 1.ª República, em contraste com a crise profundíssima em que então se afundou o país.
E há quem diga que tal explica a antipatia pelo Estado Novo de parte das famílias tradicionais, privadas, pelo regime, da infl uência e poder que tinham sobre a vida pública local, através, designadamente, dos votos das suas clientelas de rendeiros, afi lhados, empregados, etc.
Ainda até meados do Séc. XX continuam a estar presentes no plano dos investimentos e no do progresso empresarial.
Mas com o passar dos anos vão, inevitavelmente, perdendo poder e infl uência.
E, quanto a muitas, reduz-se a consciência da ligação dos seus membros a um corpo comum e esbate-se o interesse pela sua realidade intemporal. O que é pena. Muita pena. O interesse pelos antepassados e pelas famílias antigas e o conhecimento da história que por essa via se reforça, não podem senão ter valor positivo, face às tendências para o esquecimento de puros valores culturais sem relevância patrimonial.
A Genealogia não é apenas uma "ciência auxiliar da História". Auxilia, também, a permanência, na memória das famílias, de exemplos e valores… que, - mesmo contra tendências da época -, se não podem perder.
Felizmente esta tendência tem sido contrariada nos Açores por uma notável produção de estudos genealógicos e familiares. Somos hoje, certamente, a região portuguesa, senão europeia, com a mais completa e abrangente cobertura genealógica. O começo do Séc. XXI tem sido de uma riqueza extraordinária.
É neste contexto que se situa o notabilíssimo estudo, no qual o Eduardo Soares de Albergaria, com a grande qualidade e o rigor a que já habituou os leitores, descreve agora esta família da qual descende por varonia.
Todos - primos ou não - lhe fi camos a dever e lhe agradecemos este serviço que, com tanto brilho, presta à família, à história, à cultura.
Lisboa, 2009
Augusto de Athayde Soares d’Albergaria
Completo com índice Onomástico
Entre as famílias que "fundaram" os Açores - que, descobriram as ilhas e, durante séculos, as desbravaram, cultivaram, governaram, defenderam… - avulta, certamente a dos Soares de Albergaria, de Santa Maria e de S. Miguel.
Sucedendo directamente ao descobridor - (pelo menos descobridor oficial) - Frei Gonçalo Velho Cabral como Capitães dos Donatários das duas ilhas, trazem para a sua, hoje numerosíssima,descendência, ligações e linhagens antigas e ilustres que remontam à primeira dinastia. Antes de mais, a que a liga ao companheiro de D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa, Paio Delgado, fundador na mesma cidade da "Albergaria" da qual a família tomou o nome, que usa há quase novecentos anos.
Estas famílias tradicionais açorianas, ligadas por numerosíssimos vínculos de parentesco, animadas por um conjunto de valores a que foram fiéis ao longo dos tempos, corresponderam, durante séculos, a algo como um "corpo social" mais ou menos solidário. Recordando os principais de entre esses valores, refira-se, em primeiro lugar, o sentimento patriótico, que as levou ao envolvimento em todos os episódios relevantes da História de Portugal. Participaram dos Descobrimentos e da expansão ultramarina. Defenderam o Arquipélago contra espanhóis, (estiveram na sua maioria ao lado do Prior do Crato…), piratas ou ingleses… Fizeram, aqui, a Restauração.
Nas lutas civis foi, como se sabe, decisivo o apoio que deram aos liberais. Participaram constantemente do exercício de responsabilidades públicas. Referindo "famílias tradicionais" logo ouço o habitual alarido "bem pensante" contra os morgados e senhores que viveram, séculos, do abuso e da exploração do povo… e das mais valias auferidas por forma inaceitável.
Não cabe aqui a apreciação da teoria marxista das estruturas sociais… É claro que sempre houve ricos e pobres. E que num mundo de escassez, típico dos séculos de sociedade agrária, aquilo que uns tiveram outros não tiveram. E que os sofrimentos da pobreza foram terríveis. Mas a questão, vista no enquadramento histórico dos séculos, não permite responsabilizar um grupo ou classe pelos facto de a humanidade, como um todo, só a partir do século XVIII, ter conseguido encontrar a "receita" para começar a vencer, - lenta, lentissimamente embora -, a terrível ditadura da escassez relativa. Com o pensamento liberal e a revolução industrial… Não. As famílias antigas dos Açores não são responsáveis pela situação na qual toda a humanidade viveu séculos. E deve, até, com inteira verdade, reconhecer-se que muitas delas se envolveram constantemente em largas obras de caridade na tradição cristã. E que, a partir do Séc. XVIII, a maior parte toma, claramente, o partido "das luzes".
No Séc. XIX, beneficiadas pela riqueza da laranja, elas assumem papel de relevo a favor do desenvolvimento e promovem toda a casta de iniciativas culturais e de investimentos, quase sempre em associação com a emergente burguesia de negócios.
Ao longo do século da prosperidade travam, em permanência, o combate pelo progresso. Fundam associações para o fomento da economia e até chegam a intervir pontualmente em mercados de certos produtos agrícolas para estabilizar preços, a favor dos mais desfavorecidos. Participam de obras assistenciais. Patrocinam teatros, músicos, pintores, escritores. Criam jardins botânicos ao mais alto nível internacional. Dão um exemplo notável de civilização. As suas preocupações progressistas e o brilho com que vivem supera o da larga maioria das elites de província na Europa.
A tradicional ligação à administração pública que mantiveram contribuiu, decisivamente, para a ordem e o progresso dos Açores durante a 1.ª República, em contraste com a crise profundíssima em que então se afundou o país.
E há quem diga que tal explica a antipatia pelo Estado Novo de parte das famílias tradicionais, privadas, pelo regime, da infl uência e poder que tinham sobre a vida pública local, através, designadamente, dos votos das suas clientelas de rendeiros, afi lhados, empregados, etc.
Ainda até meados do Séc. XX continuam a estar presentes no plano dos investimentos e no do progresso empresarial.
Mas com o passar dos anos vão, inevitavelmente, perdendo poder e infl uência.
E, quanto a muitas, reduz-se a consciência da ligação dos seus membros a um corpo comum e esbate-se o interesse pela sua realidade intemporal. O que é pena. Muita pena. O interesse pelos antepassados e pelas famílias antigas e o conhecimento da história que por essa via se reforça, não podem senão ter valor positivo, face às tendências para o esquecimento de puros valores culturais sem relevância patrimonial.
A Genealogia não é apenas uma "ciência auxiliar da História". Auxilia, também, a permanência, na memória das famílias, de exemplos e valores… que, - mesmo contra tendências da época -, se não podem perder.
Felizmente esta tendência tem sido contrariada nos Açores por uma notável produção de estudos genealógicos e familiares. Somos hoje, certamente, a região portuguesa, senão europeia, com a mais completa e abrangente cobertura genealógica. O começo do Séc. XXI tem sido de uma riqueza extraordinária.
É neste contexto que se situa o notabilíssimo estudo, no qual o Eduardo Soares de Albergaria, com a grande qualidade e o rigor a que já habituou os leitores, descreve agora esta família da qual descende por varonia.
Todos - primos ou não - lhe fi camos a dever e lhe agradecemos este serviço que, com tanto brilho, presta à família, à história, à cultura.
Lisboa, 2009
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de Eduardo Soares de Albergaria
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de Eduardo Soares de Albergaria
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detalhes do produto
Soares d'Albergaria das Ilhas de Santa Maria e São Miguel
de Eduardo Soares de Albergaria
Ano de edição ou reimpressão: 2009
Editor: Dislivro
Dimensões: 192 x 268 x 54 mm
Classificação Temática:
Livros em Português
História > História de Portugal
História > Genealogia Heráldica
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